domingo, 22 de abril de 2012

ar de Júbilo

Talvez haja um lugar no mundo aonde seja bem mais fácil buscar a paz e o conforto. Talvez seja vendo o sol, sagrado. Ou contemplando a força da chuva, ou agradecendo ao nosso Senhor sobre todas as maravilhas da terra. Ou então com um abraço de alma para alma, entre amigos. Talvez seja possível encontrar a paz numa gota de chuva, ao ver o aplauso e júbilo das árvores ao se maravilharem com o coral que fazem quando cantam juntos, os passarinhos, em seus lugares. e ao olhar, com o coração, o regozijo dos montes que exclamam de prazer perante a nossa face. ao chorar e ao transformar todos os receios em prosperidade. talvez na casa aconchegante de um amigo... Tudo isso pode nos ser aproveitado como paz.. interior, mental, exterior, paz de espírito. ao dar as mãos a si mesmo... e aceitar o que vier. Eu não sei. A minha casa eu faço dentro de mim.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

beijo para um amor antigo

Vou dizer sobre meus sentimentos...
o que sinto aqui dentro é uma extrema admiração. E se não digo que te amo é porque não seria nada sincera, entretanto lhe digo que me sinto absurdamente bem quando estou contigo e feliz ao lembrar de ti. Sei que por trás dessa timides existe um coração querendo seguir seu caminho. E você até que pode tomar cuidado para não deixar que as coisas entre nós seja só desejo; lembre-se do nosso laço que você mesmo tracejou. E se quiser pode perceber que nossos sentimentos, tudo com relação a eles, atenta-se para o lado espitual: somos verdadeiramente, não se esqueça. Gosto demasiadamente de ti e o encanto da alma me faz sentir essa admiração a cada vez que lembro de você. Se tiver um pedido, pedirei que nós conservemos esse laço de amizade eternamente dentro de mim e de ti, não só essa relação de namorados.. porque temos vontade de sermos amigos e o valor de uma amizade não se pode ignorar, então seremos sempre felizes. Mas não espero nada em ti, nem que venha diretamente porque do nosso jeito a gente procura um modo de queremos estar juntos todas as vezes e tudo o que for pra acontecer acontecerá. Mas gostaria que soubesse que é a partir de nossos espíritos que podemos regozijar-nos, sermos pessoas melhores.
Somos um presente. Não tenho motivo algum mas adoro o que a gente faz. Gosto do fato de sermos tão jovens para andarmos juntos e adiante, e também quando percebo nossa maturidade fluindo porque sempre é uma novidade. E é por você que estou aqui, lembre todos os dias, todos os beijos de sua pequena.

"Atualizado, isto era um beijo para um amor antigo, mas que não existe mais. Há uma forma de saber como o interior das pessoas tem um traço apaixonado, seja por quem for.

O beijo era, na cartinha, para alguém que se admirasse, depois tornou-se para alguém que foi admirado, e -atualizado - para alguém que já não comove mais"

sábado, 14 de janeiro de 2012

Virtude

Neta vida, não há a hipótese de sentir ódio por alguém que não se tenha intimidade. A malquerença atribui-se apenas àquele com quem se há paixão, saudade. É o mesmo que amar alguém desconhecido, não há. Ama-se ao passo em que o tempo dê a idéia de aconchego, assim é a cólera.
Só se tem raiva de alguém se o amor for pioneiro neste laço. Senão, não há vestígios do estrago e da poeira de um castelo caído. Não ter ódio é como um lar abandonado. Ninguém limpa e nem trabalha... não há ninguém e não há nada.
Ao invés disso, o próprio ódio incita a vingança. Primeiro o terreno é sulcado, planta-se e lavra-se desde então. A primavera abre as pétalas de rosa, mas o querer do inverno ceifa-as. Depois de um castelo construído, olhá-lo e não senti-lo apraz-nos à sanha que leva-nos a razão de sorrir, irriga a vontade de amar.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

... E não é "eu te amo" do tipo: você é só meu e de mais ninguém. Não!
é " eu te amo" do tipo: ainda bem que posso contar com você.
E isso é lindo.

Um dia valedouro

Na segunda choveu o dia todo. Nem consegui dormir bem na madrugada.
Acordei bem cedo, ele estava respirando forte embaixo de mim. Tentei me revirar mil vezes mas ele sempre acordava e perguntava: " o que foi, amor", e eu dizia: "nada"
A chuva começou quando eu estava dormindo, por isso ficamos agarradinhos o dia inteirinho, até a noite completar;
Acordei cedo, senti a chuva, entrelaçada no golpe dele, fiquei parada na mesma posição pra não incomodá-lo. Estava completamente sem sono e entediada, então comecei a contornar a sua face, observando cada pedacinho do seu rosto. Desenhei os seus lábios, alisei o seu rosto, beijei os seus olhos, depois beijei o seu pescoço. Me encontrei no seu laço, que me amarrou a noite inteira, me fazendo recostar no seu peito. Eu recostei.
Então desisti, o sono venceu, quando abri os olhos ele já não estava mais ao meu lado. Já havia levantado,havia deixado um doce gostoso no quarto pra mim, fechou a porta e me deixou ali. Eu saí do quarto, me preparei pra ir embora, voltei ao quarto e deitei novamente na cama. Depois que deitei ele entrou, me beijou, deitou ao meu lado.. foi aí que fiquei ali o dia inteiro. E naquele dia, dentro daquele quarto... quarto não, mundo, eu consegui perceber quão pequena é a minha alma perto de algo tão valedouro. Eu entrei em júbilo, fiquei estupefata. Nós rimos, contamos piadas, ouvimos musicas engraçadas, nos abraçamos, nos beijamos, nos abraçamos com tesão, quase nos desentendemos, nos irritamos,conversamos sérios, voltamos a rir, nos abraçamos forte, discutimos e nos beijamos, saimos, pedimos desculpas, nos beijamos novamente, conversamos, nos abraçamos com amor, nos beijamos, rimos, nos beijamos, xingamos juntos o motorista, rimos mais, nos abraçamos, reclamamos juntos, rimos, rimos, rimos, nos beijamos e nos despedimos.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Na Rua da Quitanda

Estava na Rua da Quitanda ontem, em meio a prédios enormes, gente estilosa, com dinheiro, sapatos bonitos, roupas bonitas, pessoas pobres e os camelôs que estavam vendendo echarpes que eu gosto muito. Entrei numa loteria achando que ia comprar um cartãozinho, mas que só vende em banca de jornal. Fiquei um tempinho esperando a fila andar, e chegando perto da minha vez, olhei pro lado e vi um moço, e lembro de ter pensando na primeira impressão: eu o admiro (admiro pessoas batalhadoras, como ele, que não tem motivo para desistir). Era catador de latinha, ou devia catar outro tipo de coisa; estava cheio de sacolas com muito conteúdo. Ele, de cabeça baixa, andou como quem quisesse passar para o lado de fora da loteria. Olhei para seu rosto, dei passagem e sorri. Ele olhou pra mim surpreendido e disse baixinho: Vai na fé que o que importa é ter saúde. E eu disse sorrindo, é verdade. Ele foi. Eu andei na fila, pedi um cartão de jogos e a atendente disse: só se encontra esse cartão em banca de jornal. Sai dali bem, feliz e sorridente. Porque sei que somos todos iguais. Não tenho renda alguma, minha mãe vira um dobrado pra sustentar meus caprichos, e eu a agradeço muito por me sustentar também. Além dos caprichos (que hoje em dia são muito importantes) tem a saúde que tenta vir em primeiro lugar, depois os estudos, e mais outras coisas que são necessárias na nossa trajetória. Sendo eu, uma menina de classe média, inteligente, observadora e cheia de caprichos, saí dali sorridente sim, porque eu sei a situação que enfrento em casa. Lembrei de como me sinto quando dou ouvidos ao meu pai, e de tudo que culpo ele por não ser tão responsável por uma família. Mas o admiro por ele ser um homem que a sociedade desvaloriza, ser pobre, não ter ambições materiais, nem pensar em riqueza, por ser sábio, vivido, experiente, um homem de amigos, amigo e excepcional. Meu pai é um verdadeiro herói, porque seus problemas são inúmeros.
Uma pessoa que estuda à beça pra fazer uma prova, um concurso, vestibular, se frustra por não conseguir se classificar de maneira que é capaz de largar tudo de mão, se revoltar contra a vida. Ele, que passou pelo que tinha que passar, deixou inúmeras oportunidades passarem pela vida, entregou-as de mãos beijadas ao destino, em muitos lugares, é desvalorizado pelas pessoas que o cercam, pelo seu traje, seu jeito destemido, desenvergonhado.. imagino que por essa cabeça, esse sentimento de frustração passe várias vezes, mas é um homem que não desiste.
Admiro homens como ele, geralmente são sábios e destemidos da humanidade. São pessoas que pedem confiança, mas não confiam em ninguém, e além de muitas coisas, capazes de amar verdadeiramente.
Não sei exatamente em que situação estava uma pessoa antes de passar a morar na rua. Não sei se por drogas, ou se foi expulsa, se porque quis, ou se dormiu uma noite na rua e se acostumou, se perdeu o fio da meada, se bateu com a cabeça. Lembro de quando eu era criança, sempre tive a mente muito ocupada por um turbilhão de pensamentos e reflexões. Tinha meus anseios e não entendia coisas de adultos. Não entendia como eles complicavam tanto as coisas, logo as que eram as mais simples. Pensava: “ninguém entende um mendigo, não sabe porque ele mora na rua, não podem julgá-los tanto assim.” Eu pensava com as minhas palavras, mas no sentido de saber como deve ser grande um fardo de uma pessoa frustrada, que não teve ainda ou perdeu oportunidades de crescer na vida.
Hoje não entendo mais como são as coisas de criança. Queria sempre crescer e saber de tudo. Mas não tem jeito, elas sabem mais. Mas sei ainda de como deve ser um fardo enorme praquele que carrega, perder ou não ter ainda, por algum motivo, a oportunidade de crescer na vida, também, financeiramente. Antigamente, quando criança, pensava desse jeito, não deixando as pessoas julgarem tanto essas pessoas. Agora penso que talvez, muitas dessas pessoas simplesmente optaram por serem moradoras de rua, pelo fato que não quererem ser coniventes com o pouco caso que o Estado faz com a população, ou por não querer fazer parte da massa de manobra. A GRANDE massa de manobra. Por isso que digo que são pessoas excepcionais. São pessoas sábias, vividas. Sabem das coisas e preferem ser simples. Só não se encaixam na sociedade – e nem querem – por que sabem que a maior parte dessas pessoas são só capazes de olhar para dentro de si próprias ou apenas para os seus caprichos. Aquelas que trabalham em prédios enormes, falam mais de uma língua, estudam, trabalham ralam e suam para comprar um relógio de ouro, sapatos de couro italiano e vestidos finos. Realmente, este cara excepcional não entende e não merece essa sociedade hipócrita e mesquinha. Não merece compartilhar sua sabedoria com os mesquinhos. Em troca de quê ? conscientização ? Nós ouvimos tudo, refletimos com tantas frases de efeito, nos derretemos de amor, choramos por dó, mas no final das contas, fazemos só o que queremos e jogamos tudo o que mais importa no lixo. Tudo por capricho. Esse tipo de pessoa excepcional, nem liga mais se são ou não parte dessa sociedade do Rio de Janeiro, ou se são desprezados como um lixo. Eles abriram mão de suas expectativas e decidiram trabalhar duro e firme, quando quiserem. São pessoas vacinadas contra a mídia e a gripe suína. São como cães vira-latas que resistem a tudo. São homens de bom coração, mas que já conheceram muita maldade por aí à fora. Eles simplesmente decidiram viver corretamente, amar, respeitar, trabalhar, com dignidade, sem esperança, mas com fé de que vão conseguir seus objetivos: catar a latinha espalhada pelos empresários, advogados, balconistas, socialites, que jogam pela cidade do Rio de Janeiro. Eu os admiro por conta disso.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Sapato novo

Quando eu caminhava com os seus sapatos, o mundo virava do avesso de modo que me perdia diante da sua face, e era só beijar com seus lábios que os teus olhos não viam mais a minha presença, girando em torno de nós, entrando em ti por todos os lados, sentindo, voando e sorrindo. E os meus pés descalços, andando no chão do teu peito, descobriram os teus passos, que tantas vezes me pisaram. Teu abraço, único, tímido e quente me convidavam a viajar por dentro de ti, embora tua boca permanecesse fechada. Conheci a metade de mim, penetrando pelos poros dos seus sentimentos, e ali permaneceu a metade de mim. Se me desses um beijo, gostoso, seco, engraçado, logo pintava os lábios para sorrir lindamente para ti. Outras vezes eu flutuava estando com meu corpo bem ao teu lado. E sentia prazerosamente minha alma sorrir e chorar de alegria por te abraçar naquele instante. Quando tornava os teus braços a minha volta, por trás, meu coração a mim não mais pertencia. E lembro da gostosura que era beijar teu rosto e me esfregar na tua barba quando a gente não se conhecia mais. Demos as mãos, olhamos a frente, e no início de todas as coisas, deviam ter havido algumas pedrinhas, mas não consegui enxergar porque minha atenção se desviava para os teus olhares que me envolviam e diziam alguma coisa. Não víamos pedras. Criamos este laço. Foi quando coloquei em mim os teus novos sapatos e percebi que estes já estavam apertados.